Prólogo:
Quando o cigarro acaba, o chocolate resolve
e você vai até a geladeira, ao invéz de procurar por fogo
e pensa que foi uma das mais belas invenções
como deviam fazer antes, num mundo sem geladeira?
aí você sai da geladeira e se depara com uma casa toda amareladinha
que parece um quadro de van gogh
e se vê num momento que geladeira não devia existir
aí lembra que a geladeira precisou existir quando as pessoas começaram a parar
de comer as coisas frescas, e inventaram o chocolate, o bis, o 14 bis, a laika, e por aí vai seu cérebro.
ou melhor, o meu.
Talvez Sempre
Quando um livro acaba é porque vai começar outro
uma vida inteira lida em 365 páginas
biografias, auto-biografias
lidas em 360 minutos 3 vezes por 3 dias
três tigres tristes
até escrever isso é difícil meu deus
me esqueço do momento que me apaixonei pelo fonema
e do telefone que nunca mais tocou atordoado daquele jeito
dos dias que passaram em branco, literalmente
em sois, lençois, dunas de areais
de semanas em búzios e em arraial do cabo
semanas em paris, semanas em são gonçalo
Semanas que te quis e semanas que passou longe
Semanas que suei demais e semanas que a pele ficou tão
seca de frio e chuva e neve que nem se lembra mais de ficar desse jeito de novo
porque é muito cansativo pra pele.
Semanas que esteves bem aqui
junto aos meus montes
as cadeiras de todas as faculdades
percorridas
a imaginação que vagueia até onde deus duvida
o céu azul e límpido de um doce dia de cosme e damião
mas setembro chove? então não devia ser setembro então
Dos dias que são assim, calados e mudos de medo
será que eles vão me acompanhar e bagunçar todos os brinquedos
será que de serás alguma coisa deixou de ser.
e que com certeza amanhã sempre será outro dia
domingo não vai ser sempre assim
e sábado talvez, sempre.